"Tenho que me concentrar na minha saúde mental", disse Simone Biles, quatro vezes medalhista de ouro nas Olimpíadas, depois de deixar a final da ginástica feminina por equipes.

A americana saiu da arena após seu salto, mas depois voltou para apoiar suas companheiras de equipe que conquistaram a prata, atrás da equipe russa.

Biles, de 24 anos, marcou 13.766 — sua pontuação mais baixa no salto olímpico — antes de desistir do evento.

"Depois da apresentação que fiz, simplesmente não queria continuar", disse ela.

"Acho que a saúde mental é mais importante nos esportes nesse momento. Temos que proteger nossas mentes e nossos corpos e não apenas sair e fazer o que o mundo quer que façamos", afirmou a atleta.

Biles acrescentou: "Eu não confio mais tanto em mim mesma. Talvez seja o fato de estar ficando mais velha. Não somos apenas atletas. Somos pessoas, afinal de contas, e às vezes é preciso dar um passo atrás".

"Eu não queria ir lá, fazer algo estúpido e me machucar. Sinto que muitos atletas se manifestando realmente me ajudou. É tão grande, são os Jogos Olímpicos. No fim de tudo, não queremos sair carregados de lá em uma maca."

Em maio, a tenista japonesa Naomi Osaka se retirou do Aberto da França dizendo querer proteger sua saúde mental, uma atitude apoiada publicamente por vários esportistas, incluindo a heptatleta Katarina Johnson-Thompson e o jogador de basquete Stephen Curry.

Biles é a ginasta norte-americana de maior sucesso de todos os tempos e, além de quatro ouros, ganhou um bronze na Rio 2016.

Ganhadora de 30 medalhas em Olimpíadas e Mundiais, Biles está a quatro pódios de se tornar a ginasta mais premiada — entre homens e mulheres — da história.

Ela chegou a cinco finais individuais, mas ainda está em dúvida se vai competir na quinta-feira (29/7), quando terá a chance de defender seu título no individual geral e, se vencer de novo, será a primeira mulher a fazer isso desde 1968.

"Vamos ver", disse ela. "Vamos levar um dia de cada vez e ver o que acontece."

Os Estados Unidos eram os favoritos ao ouro da ginástica por equipes em Tóquio, após conquistar cinco títulos mundiais consecutivos — em 2011, 2014, 2015, 2018 e 2019 — além de medalhas de ouro olímpicas consecutivas em Londres e no Rio.

Jordan Chiles entrou no lugar de Biles, e os Estados Unidos foram derrotados pelas russas, com a Grã-Bretanha levando o bronze.